"Questão a resolver: como conciliar a crença que o mundo é, em grande parte, uma ilusão, com crença na necessidade de melhorar essa ilusão? Como ser simultaneamente desapaixonado e não indiferente, sereno como um velho e ativo como um jovem?" Aldous Huxley

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domingo

Ego

Nós não somos nada além de uma coincidência da evolução. A espécie humana não tem nada de especial senão o fato de ser a nossa. Tudo isso é invenção. O nosso deus, a nossa moral, cada valor e cada significado desde o mais simples, está na nossa cabeça e só.
O mundo material não faz sentido. Nenhum dos meus desejos fazem.

...Só que eu cansei de ver desse jeito.
Estou aqui por motivo nenhum e com finalidade nenhuma. Isto é, nenhuma além de perpetuar a espécie, mas já está claro que perpetuar a espécie é tão inútil quanto eu. Não posso continuar existindo com essa concepção, então optei por ignorantemente negá-la.
Idependente dos motivos, a vida existe e eu estou aqui. Então tudo bem, vou viver até quando conseguir e vou estudar coisas que me interessam, mas sem me culpar por ler sobre criações mundanas que nada valem. Talvez um dia eu até esbarre nos conceitos que me assombram; mas nunca mais vou deixar que eles me governem.
Sou nova e inconsequente, sei pouco de mim; contudo posso dizer, alto e claro, sem medo da pretensão, que entendi o princípio da vida: ela não é poética ou apotética como iludiam-nos os filósofos. A vida é um acaso, e as razões do mundo não estão em nenhum lugar fora da consciência humana.
Não preciso mais existir nesse erro. Vou continuar aqui, e agora livre por saber que razão nenhuma me coage.
O engraçado é que eu ainda não estou feliz...

quarta-feira

!

Que saco
Preciso de uma ocupação que não seja pensar
Meus pensamentos estão me enlouquecendo
Quero um modelo pra admirar
Ou simplesmente alguém pra gostar
Quando vão dizer as palavras que me tiram o fôlego?
Preciso me sentir diminuída perto de alguém melhor
E de algo que me deixe acreditar na sua poesia grotesca
Essa ansiedade por me culpar
Tô cansada de me arrepender sem motivo nenhum
De fingir que vivo tanto na minha ideologia quanto na minha hipocrisia
Eu sei que não existo pra nenhuma das duas
Meus desabafos me irritam de um tanto... (nem vou tentar coesão)
Minhas desilusões são sempre tão tolas
Eu sou tola
E ainda assim acho justo exigir alguém superior
Pra fingir que amo
Ainda me acho digna de escrever com letra maiúscula
Não, eu não sou
- não sou -
Te acho tão ridículo
Não te entendo
E nem você a mim
Gosto de fazer coisas que eu repudio pra afirmar minha baixeza
Quando me julgam vil e me convencem
Pois é
Que belo lixo
Meus grandes dilemas nunca passaram de besteira
Hahaha, e eu que me acho importante
Droga, e vocês?
Todas as minhas sílabas passam pela minha censura
Apago as verdades que podem ferir aqueles mais frágeis
Mas os fonemas não
Por isso sou boba
Ainda mais perto de alguns
Na verdade sou imbecil em tempo integral; escondo bem
Ao ponto em que vejo que alguns o reconhecem vejo que outros me admiram
Tenho dó
Só metas compradas e sonhos implantados
E aquilo que eu realmente quis logo se provou impossível
Nessa droga legalizada (e sem efeito)
Pois é, sem coesão
Mas tanto faz, ninguém entenderia ainda que eu usasse as palavras direito
Se eu conseguisse
Enfim, ...
Que saco.