"Questão a resolver: como conciliar a crença que o mundo é, em grande parte, uma ilusão, com crença na necessidade de melhorar essa ilusão? Como ser simultaneamente desapaixonado e não indiferente, sereno como um velho e ativo como um jovem?" Aldous Huxley

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sexta-feira

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Eu estou meio perdida entre uma embriaguez mental niilista e autodestrutiva e essa coisa de aprender, agir, mudar, criar... Mudo de lado de hora em hora, e estou ficando tonta. A responsabilidade é minha, o futuro é meu, a realização ou a frustração que virá disso tudo será completamente minha. E eu quero que seja realização. Estou decidida, quero pensar e agir, construir coisas das quais eu me orgulhe, quero ser, quero ter o controle. É que aquela preguiça fica me rondando, na espreita, esperando qualquer fiapo de fraqueza, para tentar minha mente. E isso sim é o demônio: a preguiça. Não é uma criaturinha vermelha com rabo de seta sentado no seu ombro, não, o demônio é o seu próprio desânimo, é a falta de persistência, é o cansaço que sussurra dentro da nossa cabeça o tempo todo na tentativa de nos fazer desistir das nossas metas. E vender-se ao demônio é prazer puro por algum tempo, já dizia a bíblia... Mas depois vem a danação. Não, não. NÃO. Decidi: agora quero ser ascese.

domingo

http://www.youtube.com/watch?v=QbeHq1CLqJ8

Estou improdutiva para textos. Ultimamente escrevo minha tese em duas linhas, e então me foge qualquer inspiração para continar a escrever. É como se, ao colocar em palavras algo no qual eu acredito, aquilo se mostrasse simplesmente tão óbvio que eu não enxergue necessidade nenhuma em alongar-me no assunto. Também ando cansada de discutir comigo os meus dilemas, apenas os ouço e calo. Se por um lado sinto a vontade crescente de nunca mais falar com ninguém e definhar envolta em minha dor infundada, também se faz presente uma preguiça de tudo isso. Preguiça de me fazer triste, preguiça de me destruir. Porque é uma tarefa árdua, saibam. Pensar o tempo todo, sempre a maquinar agulhadas, me vigiar e censurar... Estou entediada comigo. Sabe aquela relação de casal de meia idade em que um já sabe tudo o que o outro vai dizer, como vai reagir e as sensações que isso despertará? Aquele tipo de casal que já está tão enfastiado de tudo que o parceiro tem a oferecer, que simplesmente se viram para lados opostos e abrem um buraco negro na cama de casal, enquanto reconsideram as solidões do dia assim como deve ser: sozinhos. Essa é a minha relação comigo. Velha, desgastada, monótona e impotente. E é isso, a minha tese.

sábado

Despedida

Tenho andado um pouco triste. Os problemas de antes já não me incomodam tanto, acho que superei aquelas deficiências que me perturbavam; mas no caminho descobri outras. Os furos na personalidade, a incapacidade de expressar certas coisas - tudo isso continua aqui, mas agora com outras máscaras. Evoluí muito, isso eu vejo. Hoje em dia eu mal reconheço a garota que eu era um ano atrás.
Eu costumava sonhar com o primeiro beijo, com o vestido de princesa da festa de quinze anos, com a popularidade que eu tanto queria. Hoje eu sinto que daria minha virgindade sem peso nenhum na consciência, hoje eu abomino 'parabéns pra você' e guardo em segredo a data do meu aniversário, e hoje eu me orgulho por não perder tempo comigo em nome de amizades colegiais.
Hoje eu olho mais adiante, e hoje eu tenho noção dos vazios do mundo. Um ano atrás eu nunca conseguiria saber o sentimento de depressão, eu não poderia entender uma crise existencial. Sinceramente é difícil acreditar que eu mudei tanto, não entendo o que houve em mim para inspirar essa revolução. Quando tento me lembrar da mentalidade que eu tinha, só sinto uma fumaça; uma confusão de visões simplistas e fúteis onde nada era verdade. Algo me diz que um dia eu vou olhar pra quem eu sou agora e ter exatamente a mesma impressão, mas deixemos isso para daqui a alguns anos.
O fato é que eu mudei. Perdi muito de mim, coisas boas, reconheço. Aquela inocência, aquela alegria boba, aqueles desejos fáceis de conseguir. Também progredi em aspectos positivos. Naquela época eu não era triste, eu não ligava. Hoje eu me cobro mais, me odeio mais. Hoje, embora eu soe mais infeliz, eu posso dizer que começo a descobrir quem eu sou; e isso me conforta. Mas hoje eu tenho medo.
Mais uma prova e eu estou oficialmente no terceiro colegial. Eu queria fazer o tempo parar.
Sei que eu vou estudar demais, ter ainda menos tempo para mim, sei que eu vou ter crises e desilusões piores que as de hoje, mas tudo isso eu posso aguentar. O que me assusta é saber que eu estou ficando mais velha. É ver que em um ano eu vou ter que decidir o que eu quero fazer com a minha vida, ser "adulta". Quando eu penso que meu próximo aniversário será de 17 anos, eu não consigo acreditar.
Estou insegura com a minha estrutura emocional, com os meus novos defeitos, com a ideia de continuar crescendo e mudando, mas estou ainda mais insegura com as decisões que terei de fazer. Quando eu me digo criança e percebo que já não parece natural, eu tenho vontade de gritar - e isso porque no fundo eu já não vejo a criança em mim. Claro, a ignorância e a fragilidade continuam ali; mas hoje é só isso: imaturidade, resquícios dos defeitos que eu ainda não consertei. É horrível a ideia de que de repente eu já não sou 'bonitinha', e sim patética.
Acho que no fundo o meu grande problema é saber por intuição que amanhã eu vou achar o meu hoje vazio de valor e significado, vou rir dele, vou desprezá-lo. E o pior: saber que amanhã eu vou ser distante e desconhecida da pessoa que eu sou Hoje. Eu vou sentir saudades de mim...