"Questão a resolver: como conciliar a crença que o mundo é, em grande parte, uma ilusão, com crença na necessidade de melhorar essa ilusão? Como ser simultaneamente desapaixonado e não indiferente, sereno como um velho e ativo como um jovem?" Aldous Huxley
sexta-feira
Sobre deus (parte três)
Sobre deus (parte dois)

Quando escrevi a parte um, tive medo de publicar. Tive medo porque não sei se acredito ou não.
Até ontem eu pensei que ser devoto a deus é indiferente, e que sendo uma boa pessoa, o que quer que existisse depois estaria ao meu alcance. Então analizei melhor o medo que confessei na primeira linha, e entendi. Talvez eu não seja uma boa pessoa.
falando nisso,
Até parece prentenção de deus querer ser conhecido e ter um nome que não deve ser utilizado em vão. Me remete ao absolutismo, há tanto superado. Se ele é tão perfeito, por que exige glória e fama? Talvez até deus precise de reconhecimento...
-
Sobre deus.
quinta-feira
-
segunda-feira
Um de fevereiro.

Primeiro dia de aula. Tudo cheira diferente. Brilha diferente. Cadernos novos, canetas intactas, a manhã parece mais clara e a tarde mais quente, os comprimentos ao chegar na escola, a maciez da cadeira da sala de aula, a diretora que parece mais grisalha, a professora de matematica que parece cuspir mais a cada ano, a fome no intervalo, a fila da cantina, o calor do pátio, o uniforme clareado, as apostilas novas, o aluno novo...
domingo
Trégua.

Matei um mosquito e me senti culpada. O ceu sujo de nuvens carregadas pareceu sombrio. As garotas gordas me encantaram em suas mini saias. Concelhos e confissões quebraram minha guarda. A insônia chegou com força, e trouxe reflexões atrazadas. A ética me obrigou a maquiar muitas conclusões. Me enganei e gostei do sabor. Assiti a filmes suficientes para ofuscar minha realidade. E depois de polida, ela pareceu um teatro monótono. Em alguma parte daquele inverno eu esqueci de ser dócil. No verão seguinte eu já nem lembrava dos cheiros. Cresci, ou fingi que cresci, e passei a ver tudo em preto e branco. Tentei então me rebelar. Não consegui. Me calei. Aí tentei mudar. Foi dificil. Tentei mais. O sol roubou lágrimas dos meus olhos. Compromissos me roubaram a sanidade. Tentei vingança. Falhei. Rostos sorriram ao meu redor. Rostos se fecharam ao meu redor. Rostos não se moveram ao meu redor. Muitos rostos estiveram ao meu redor. Por todos os lados, com todas as mascaras. Olhei de volta. Sorri de volta. Chorei de volta. Julguei de volta. E por fim, cansei de volta. Agora o tempo está lindo, e eu quase ouço um riacho chiar de longe. Acho que mereço um descanço.
sábado
Culpa, pena e tempo.

quarta-feira
Deixe ser.
segunda-feira
Importancia.
E ai vemos a desimportancia das coisas.
E ai notamos que refletir é desimportante.
E ai tudo parece vazio.
E ai vemos que tudo é, de fato, vazio.
E ai nos propomos a viver sem pensar.
E ai notamos que viver é pensar.
E ai tudo fica sem sentido, mais uma vez.
The great escape.
Paper bags and plastic hearts
All our belongings in shopping carts
It's goodbye...
But we got one more night
Let's get drunk and drive around
And make peace with an empty town
We can make it right...
Throw it away, forget yesterday
We'll make the great escape
We won't hear a word they say
They don't know us anyway
Watch it burn, let it die
Cause we are finally free tonight
Tonight will change our lives
It's so good to be by your side
We'll cry...
But we won't give up the fight
We'll scream loud at the top of our lungs
And they'll think it's just cause we're young
And we'll feel so alive
All of the wasted time
Hours that we left behind
Answers that we'll never find
They don't mean a thing tonight...
boys like girls
domingo
Cansaço austero.
Me sinto pesada, suja e errada. Como uma alma pura que nunca fez caridade, como um potencial pisado e chutado. Tanta coisa que eu poderia fazer. Tanta coisa que eu poderia ser. Inúmeros futuros na prateleira, inúmeras ações esboçadas nos projetos. Necessidades que de repente nem são mais necessárias. Supérfluos sem os quais eu não seria nada. Divindades que eu ignoro, idiotices que eu idolatro... Crenças, opiniões revolucionarias, então porque ainda sinto este vazio de vontade própria? Crucificando o ego alheio mas sempre cuidando das aparências. Fingindo que não preciso de ninguém e esperando desesperadamente que alguém precise de mim. Olho pra minha historia... tão pequena. Anos e anos de catança, porque a mochila ainda está tão leve? Eu quero gritar correr e quebrar tudo pelo caminho. Planos e mais planos. Num segundo parece que eu consegui tudo o que sempre quis, e então eu já não quero mais nada daquilo. Me sinto miserável. Então me inspiro em qualquer coisa e proponho zilhões de mudanças. Ai penso que não sou capaz. Olho pro nada e encontro novos horizontes, então anoitece e eu os perco de vista. Eu penso tanto que acabo sem saber o que pensar, e eu quero tanto que acabo sem saber o que querer. E sem saber eu só acabo. E acabo sem saber...
sábado
Apelo.

Uma dica: Pare de cuidar dos problemas alheios, e talvez então os seus diminuam.
Uma ideia: Esqueça dos seus motivos e tente se lembrar das suas origens, e talvez então você não se contradiga.
Um conselho: Não se pare sempre que se flagrar perto demais de dar a cara à tapa, e talvez então você viva algo que valha a pena.
Um pedido: Diga mais “não” ao próximo que a si mesmo, e talvez então você poupe lamentos no discurso final.
Uma ordem: Acredite em você, e talvez então as pessoas acreditem.
sexta-feira
A verdade é falsa.
A decepção é a rotina. A surpresa é a contradição. O prazer é a estupidez.O perdão é mentira. O amor também. O desejo é ilusão. A satisfação também.
A amizade engana. A paixão enlouquece. O consumismo completa. A culpa corrói.
O respeito é cego. O ego é surdo. A revolta é muda.
A vida ensina. A morte cala. A nascença começa. A alma acaba.
Quem viu sente. Quem sabe conhece. Quem quer tem.
-
Menos opções. Menos promessas. Menos desejos. Mais vida.
sábado
Ambivalência.
sexta-feira
Sarcasmo.

Me desculpe se eu te deixo mal. Me desculpe se eu não sou o que você esperava. Me desculpe se eu não penso como você acha que eu deveria. Me desculpe se eu sou grossa. Me desculpe se eu não te ouço. Me desculpe se eu ajo por impulso. Me desculpe se eu rio dos seus assuntos serios. Me desculpe se eu te envergonho. Me desculpe se eu sou hipócrita. Me desculpe se eu te humilho as vezes. Me desculpe se eu não ligo. Me desculpe se eu erro. Me desculpe se eu choro. Me desculpe se eu falo na hora errada. Me desculpe se eu sou fútil. Me desculpe se eu sou vingativa. Me desculpe se eu não aturo ninguém. Só não espere que eu me desculpe por dizer a verdade que você não queria ouvir...
Vencida.

segunda-feira
Apólogo.
Era uma vez uma casa de palha. Lá dentro morava um sonho. O sonho tinha um animalzinho de estimação chamado Orgulho. Orgulho era um filhote adorável, de pequeno porte e muito ingênuo. Ingênuo como o sonho e como a casa. Ingênuo como eu fui um dia.
Então, em uma tarde entristecida pela neblina, o sonho levou Orgulho para passear, e ingenuamente, Orgulho conheceu Paixão. Paixão era o animalzinho da casa ao lado, cujo dono era um desejo ardente. A casa era feita de vidro, mas em certas manhãs o orvalho a fazia lembrar cristal.
No dia seguinte, Orgulho não conseguia parar quieto, e logo o sonho percebeu... Conversaram, riram, e Orgulho contou-lhe toda a historia. O sonho, que era sempre muito ousado, resolveu tomar um chá com o desejo. Chegando lá, percebeu que a casinha cheirava a caricias, e se sentiu muito confortável.
Enquanto tomavam o chá e conversavam sobre um assunto qualquer, Orgulho e Paixão se aproximavam mais e mais, e no fim do dia já eram quase irmãos.
Chegando em casa, o sonho tratou de encher Orgulho de perguntas. Orgulho não fazia idéia de quais respostas dar, e atordoado depois de um dialogo vazio, se retirou pra dormir.
Aconchegado e olhando o luar, Orgulho repassou o dia em sua cabeça. Tentou tirar conclusões sobre o que se passara, mas quanto mais pensava, mais se confundia. Desistiu e se rendeu ao sono.
Enquanto isso, na casa ao lado...
Paixão havia discutido com o desejo, pois ambas tinham se sentido muito atraídas pelo sonho. A discussão terminou com o desejo lembrando Paixão de que ela não tinha o direito de ter um sonho... Agora paixão estava muito chateada com o acontecido, e pensava se ao menos tinha o direito de ter Orgulho.
O dia seguinte foi dominado pelo silêncio dos gritos da ansiedade, e era um silêncio escuro. Orgulho acordou e foi até a padaria, para agradar o sonho, que tinha sido muito amável no dia anterior. Paixão não dormira nada, e assim que o sol raiou de mal humor, ela saiu de casa e foi admirar o horizonte da calçada.
Orgulho avistou-a, e sem hesitar, sentou ao seu lado. Paixão o confortou com um sorriso, e logo voltou a seu transe. Sem saber exatamente o que fazer, Orgulho preferiu um assunto bobo ao silêncio.
Olhou com toda a sua coragem para a indiferença dela e perguntou por que seus olhos estavam tão vazios. Ela sorriu sarcástica e lançou a pergunta no ar. “Acha que eu tenho direito de sonhar?”
Com medo do fundamento daquela pergunta e das conseqüências que sua resposta poderia causar, Orgulho resolveu responde-la com outra pergunta. “Acha que eu tenho direito de me apaixonar?”
Paixão não pegou a indireta, e respondeu honesta e indiferente: “Acho que qualquer um tem direito de se apaixonar... Mas você em especial pode se ferir.”
Orgulho se sentiu confuso e enjoado, e decidiu tentar esclarecer aquela bagunça. “Paixão, porque não se acha digna de sonhar?”
Ela o encarou, olhou para o asfalto e olhou vaziamente de volta para ele. Considerando-o um grande amigo, contou sobre a discussão com o desejo e sobre os medos que a assombravam.
Neste momento Orgulho se retirou ferido. Paixão não entendeu muito bem, mas permaneceu vazia no mesmo lugar.
O sonho já estava preocupado com a ausência do Orgulho, mas pensou que este era o momento perfeito para se declarar para o desejo. Chegando na casinha brilhante, o sonho reconheceu Paixão. Sentou-se perto dela. Afetada pela ausência do Orgulho, Paixão se aconchegou nos braços do sonho e lhe fez juras de amor. O sonho, iludido, mergulhou em seu extase.
Por trás da parede, o desejo assistia a tudo.
Algum tempo se passou, recheado por visitas secretas entre Paixão e o sonho da casa ao lado, até que o desejo ficasse opaco e Orgulho ficasse velho. Então a casamenteira da vizinhança, chamada Desilusão, juntou-os num encontro arranjado.
Orgulho se deu muito bem com o desejo, e o sonho viveu feliz para sempre com a Paixão... Mas quantos desejos a Paixão ainda pode sabotar? E de quantos sonhos o Orgulho ainda pode desistir?
Moral da história: Atenda à todos os seus desejos e cale suas Paixões, e dê espaço para que seu Orgulho cresça, pois assim ele poderá desistir de todos os seus sonhos estúpidos, antes que estes te levem à Desilusão.
sábado
Acredite.
Eu acredito em você, confio em você. Você é capaz. Você é forte o bastante. Sua falta de confiança parece te atrapalhar, mas sabe.. é só um charme. Sem saber o que fazer, você faz dar certo; sem saber o que dizer, você cala a todos; sem saber por onde olhar, você mira no alvo. Você sempre dá a volta por cima, você sempre os surpreende. Você é única, você é especial. Vá até lá e acabe com eles. Se orgulhe por ser quem é. Eu acredito em você. Eu confio em você.


