"Questão a resolver: como conciliar a crença que o mundo é, em grande parte, uma ilusão, com crença na necessidade de melhorar essa ilusão? Como ser simultaneamente desapaixonado e não indiferente, sereno como um velho e ativo como um jovem?" Aldous Huxley

quinta-feira

Delírios.

Sabe quando tudo aquilo que vem ensaiando para acontecer resolve criar um catastrófico festival e não dá a mínima pra quantos espectadores além do limite virão?
Sabe quando tudo parece um sonho borrado?
Sabe quando você quer muito aconselhar um amigo mas tem a consciência de que não é capaz de aconselhar nem a si mesmo?
Sabe quando você quer viver acima dos problemas mas vê que os problemas estão vivendo acima de você?
Sabe quando você quer gritar, chorar, bater, e nem mesmo sabe pra quem deve correr?
Sabe quando tudo que se trancava no fundo do seu intimo resolve se revelar na frente dos seus olhos mais você está cega demais pra conseguir enxergar?
Sabe quando você quer fazer alguém sofrer só pra não sofrer mais mesmo consciente de que esse sofrimento te fará sofrer?
Sabe quando você nem imagina se é egoísmo ou masoquismo se contradizer pra agradar?
Sabe quando você pensa em tudo mas não tem a mínima idéia de sobre o que pensa?
Sabe quando você apóia todos os lados mas discorda de todos?
Sabe quando você só quer poder deitar em posição fetal e assistir a vida acontecer mas também quer se levantar e chutar todos os acontecimentos não planejados?
Sabe quando você se sente impotente por saber que pode mudar tudo?
Sabe quando você quer contar a todos mas não quer se explicar?
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Se souber nunca saberá que soube, porque nem eu mesma sei se sei. Na verdade só queria não saber. Eu sei, saber dói… Mas qual será a dor de não saber?



Errando, aprendendo, errando mais.


A perfeição não existe. Creio que é só mais um estereotipo pra nos inspirar a acertar. Nunca a alcançaremos, nunca nem chegaremos perto, pois quando nada esta errado, algo simplesmente acontece.

Sempre brigamos com alguém para quebrar o silencio da rotina. Sempre nos ligamos com a pessoa errada para calar a carência. Sempre falamos algo venenoso para descarregar o estresse. SEMPRE, SEMPRE E SEMPRE damos um jeitinho de criar acontecimentos onde nada tem que acontecer.

Eu sei, isto é viver. Não tem nexo ter uma vida pra não fazer nada, só deixar como esta. Mas às vezes eu queria. Adoraria, e como adoraria, conseguir calar minha boca na hora certa. Também sei, a vida é feita para errar e aprender. Mas deus, qual a finalidade de cometer o mesmo erro inúmeras vezes? Temos que aprender, não decorar. Eu sei, sei e sei que a vida é feita de decisões, mas também queria muito poder simplesmente não decidir de vez em quando.

Martírio maior que aquele com qual eu posso lidar é ver minha vida tão perto de tudo que eu sempre quis numa tarde e tão longe na manhã seguinte. Mais um aprendizado? Às vezes eu gostaria de simplesmente não aprender.

Talvez fosse bom pegar algumas detenções do amor e repetir algumas series da amizade. Pena que a diretoria da vida nos pune com mais lições. Eu juro que prefiro a palmatória.



Ficção cientifica, ciencia ficticia.

Um filme começa poético, confuso e com belas paisagens, tal como o nascimento. A primeira respiração, o primeiro contato à luz do sol, o primeiro vista à grama. Tudo tão puro, tão desinteressado, tão belo.

Então a bela musica acaba, os nomes param de aparecer na tela e a historia começa. Confusa, sem explicações, você é atraído extintivamente a continuar assistindo, para entender, a continuar vivendo, para descobrir.

Chega uma hora, que sem que você perceba, a trama começa a se enrolar, coisas começam a fazer sentido, mocinhos e vilões começam a se separar, e seus brinquedos se substituem por opiniões e revoltas, duvidas e amores.

Assim como o clímax de todo filme não tarda a começar, a adolescência chega. Sem pedir licença, traz consigo conflitos e sentimentos devastadores, tudo acontece para complicar ainda mais todos os fatos, nada parece se resolver e a historia se transforma em um bolo de contradições precipitadas.

Vagarosamente, cada detalhe vai se explicando, e os que não se explicam vão escondendo numa caixa no fundo do estúdio, para serem lembrados em um desfecho próximo. Tudo parece estar se resolvendo, problemas ainda surgem mas já não parecem tão graves, eis a vida adulta, o pós-clímax e o pré-desfecho da vida humana.

Então, quando tudo aparenta perfeita harmonia, nada falta para ser resolvido, quando o sentimento de satisfação finalmente se faz presente, o filme acaba. Nos olhos dos expectadores fica o brilho do desejo da continuação, nos olhos do artista principal, o fosco conformismo contradito pelo balbuciar da lágrima de orgulho. E assim se faz a velhice, calma e bela, com direito à uma trilha sonora emocionante e gaivotas pintando as nuvens.

Quando tudo parece simples, a vida complica, quando tudo parece difícil, a vida acalma, quando tudo parece perfeito, ‘The End’ se faz escrito, e a música inicial, a tensão do meio e a calmaria final se guardam numa só fita, que é bloqueada para ser vista somente uma vez, pelos próprios atores.

Inflação dos sentimentos.


À medida que a modernidade chega, inovadora e sorrateira, vai compactando o tradicionalismo, e este, tradicionalmente educado, vai cedendo seu lugar. Essa é a maior perda da evolução, pois todos desejam um romance medieval, uma amizade rodeada por requintes, um cortejo despervertido.

Outra perda, ou mudança desvantajosa, como queiram, é que, como tudo moderno, o preço do amor vem subindo, e consecutivamente o da amizade, o da consideração, e até o da felicidade, que indo contra ao tradicional clichê, tem um preço. Não aquele pago em cédulas, mas em momentos, em idéias, em atitudes.

A sociedade está fadada a evoluir, é a inflação da vida.
A magia está fadada a morrer, é a crise da vida.

Só há um lugar onde os problemas sócio-econômicos não adentram sem a sua permissão: sua cabeça. Lar das suas idéias, refugio das suas crenças, abrigo dos seus sonhos… a reserva da sua mágica, a base da evolução do seu ser, tudo o que você tem.

Você é o unico que pode ditar o tamanho das mesmas, e limitá-las a dominar, coexistir ou se inferiorizar à sua historia.

Contudo, gostaria de saber se ainda há magia suficiente para redominar os contos de cada um. Se ainda há magia suficiente para ressuscitar o meu final feliz. Se ainda há magia.