"Questão a resolver: como conciliar a crença que o mundo é, em grande parte, uma ilusão, com crença na necessidade de melhorar essa ilusão? Como ser simultaneamente desapaixonado e não indiferente, sereno como um velho e ativo como um jovem?" Aldous Huxley
domingo
A minha coisa de cabelos castanhos
quarta-feira
Impressões
sábado
Reflexo
domingo
Ego
O mundo material não faz sentido. Nenhum dos meus desejos fazem.
...Só que eu cansei de ver desse jeito.
Estou aqui por motivo nenhum e com finalidade nenhuma. Isto é, nenhuma além de perpetuar a espécie, mas já está claro que perpetuar a espécie é tão inútil quanto eu. Não posso continuar existindo com essa concepção, então optei por ignorantemente negá-la.
Idependente dos motivos, a vida existe e eu estou aqui. Então tudo bem, vou viver até quando conseguir e vou estudar coisas que me interessam, mas sem me culpar por ler sobre criações mundanas que nada valem. Talvez um dia eu até esbarre nos conceitos que me assombram; mas nunca mais vou deixar que eles me governem.
Sou nova e inconsequente, sei pouco de mim; contudo posso dizer, alto e claro, sem medo da pretensão, que entendi o princípio da vida: ela não é poética ou apotética como iludiam-nos os filósofos. A vida é um acaso, e as razões do mundo não estão em nenhum lugar fora da consciência humana.
Não preciso mais existir nesse erro. Vou continuar aqui, e agora livre por saber que razão nenhuma me coage.
O engraçado é que eu ainda não estou feliz...
terça-feira
Nosso mundo
Somos os fantoches. E felizes por sê-los, de tão corrompidos.
O egocentrismo humano exige uma crença espiritual, um significado teologico para a nossa vil existência; e nada mais natural vindo de um ser "inteligente". O ponto é que a nossa versão precisa ser absoluta para convencer-nos em nossa ignorância, o que certamente é incentivado pela globalização. É inclusive a proposta da 'Nova Era'. E da ciência. Mas quanta guerra ainda teremos de travar para chegar a tal?
Comparando os dogmas imparcialmente, a resposta óbvia é o ateísmo e a consciência de que as diferentes manifestações em matéria de religião ao longo dos povos tem motivos comuns como educação e unificação social. Logo, a única fuga a essa regra se caracteriza em uma teologia unificada. Contudo, eu estou demasiadamente convencida pelo pragmatismo ateu para me iludir com a possibilidade. Se a finalidade é proporcionar princípios para a continuidade de uma vida sã, qual a diferença de uma noção unificada ou várias independentes, diferentes e incomunicáveis? Mas a globalização já nos tirou essa chance...
Ela generosamente deixou-nos com o ceticismo e a iminência de guerra. Sem esperança. Confundiu nosso credo e ridicularizou a filosofia ancestral. Aplaudi a globalização, venerai a globalização, mimai a globalização; antes que ela se enjoe da vossa ignorância também.
sábado
- Não.
- Por quê?
- Porque eu não sou quem eu gostaria de ser.
- Alguém é?
- Não sei.
- Ninguém é.
- Por quê?
- Porque querer ser subentende não ser.
- Então a felicidade não existe.
- Não.
- Então por que a pergunta?
- Para provar minha teoria.
- Para quem?
- Para mim.
- Por quê?
- Para me consolar.
- Quanto a quê?
- Minha felicidade.
- Entristece-lhe?
- O tempo todo.
- Como?
- Fazendo-me egoísta.
- ...
- Egoísta. Insensível a dores alheias.
- Então todos os felizes são egoístas?
- Sim, exceto os infelizes.
- Mas os infelizes não são felizes!
- Por isso eu digo que o são.
- Você é louco.
- Provavelmente...
- Felicidade não existe.
- Não.
- Então ninguém é egoísta.
- Eu sou.
- E por isso é feliz?
- Você entendeu a teoria.
domingo
sexta-feira
Querido Amigo,
sábado
Sobre a ataraxia politica.

quinta-feira
sábado
E se as fadas existissem?
E se as memórias não perturbassem?
E se os sussurros se calassem?
E se as ideias vingassem?
E se os fatos encorajassem?
E se as paixões durassem?
E os doces não engordassem?
E se as flores não murchassem?
E se os adultos brincassem?

Seria ruim do mesmo jeito.
Estratégias.

Pegue outra folha, rabisque tudo outra vez...
quarta-feira
Intensidade e plenitude.

Eu quero ouvir minha respiração ofegante,
E sentir meu coração bater
Eu quero descobrir como é amar,
E saber o que é viver
Eu quero correr pela estrada deserta,
E empurrar as pessoas na multidão
Eu quero soar pra ficar limpa,
E desentoxicar minha imaginação
Eu quero nadar nos lagos azuis,
E me afogar nas emoções
Eu quero brincar com os meus medos,
E caçoar minhas decepções
Eu quero ver o sol nascer,
E beijar o sal do mar
Eu quero ver você chorando,
E saber te consolar
sexta-feira
Expectativas

Você quer ser de verdade. Você quer sentir plenamente. Você quer ser belo e culto. Você quer ser humilde. Você quer saber que é bom. Você quer que saibam que você é bom. Você quer olhar pra cima e rir da vida. Você quer que os outros entendam o que você diz. Você quer poder ficar no topo. Você quer que o tempo seja favorável. Você quer amar alguém.
Mas sua inteligência tosca não te deixa ser de verdade, e nem sentir plenamente. Sua determinação coagida te afasta da beleza e da sabedoria. Seu fascinio com a perfeição borra sua humildade projetada. Sua baixa estima emudece os elogios. Sua revolta sem sentido eneblina o céu mais azul. Sua sede por voz própria te leva a gritar alto demais. Sua falta de preparo deixa a escalada mais longa. Sua pressa atrasa o tempo. E não, você não sabe... Mas amar alguém é negar tudo isso.
segunda-feira
Um de fevereiro.

Primeiro dia de aula. Tudo cheira diferente. Brilha diferente. Cadernos novos, canetas intactas, a manhã parece mais clara e a tarde mais quente, os comprimentos ao chegar na escola, a maciez da cadeira da sala de aula, a diretora que parece mais grisalha, a professora de matematica que parece cuspir mais a cada ano, a fome no intervalo, a fila da cantina, o calor do pátio, o uniforme clareado, as apostilas novas, o aluno novo...
domingo
Cansaço austero.
Me sinto pesada, suja e errada. Como uma alma pura que nunca fez caridade, como um potencial pisado e chutado. Tanta coisa que eu poderia fazer. Tanta coisa que eu poderia ser. Inúmeros futuros na prateleira, inúmeras ações esboçadas nos projetos. Necessidades que de repente nem são mais necessárias. Supérfluos sem os quais eu não seria nada. Divindades que eu ignoro, idiotices que eu idolatro... Crenças, opiniões revolucionarias, então porque ainda sinto este vazio de vontade própria? Crucificando o ego alheio mas sempre cuidando das aparências. Fingindo que não preciso de ninguém e esperando desesperadamente que alguém precise de mim. Olho pra minha historia... tão pequena. Anos e anos de catança, porque a mochila ainda está tão leve? Eu quero gritar correr e quebrar tudo pelo caminho. Planos e mais planos. Num segundo parece que eu consegui tudo o que sempre quis, e então eu já não quero mais nada daquilo. Me sinto miserável. Então me inspiro em qualquer coisa e proponho zilhões de mudanças. Ai penso que não sou capaz. Olho pro nada e encontro novos horizontes, então anoitece e eu os perco de vista. Eu penso tanto que acabo sem saber o que pensar, e eu quero tanto que acabo sem saber o que querer. E sem saber eu só acabo. E acabo sem saber...
sábado
Apelo.

Uma dica: Pare de cuidar dos problemas alheios, e talvez então os seus diminuam.
Uma ideia: Esqueça dos seus motivos e tente se lembrar das suas origens, e talvez então você não se contradiga.
Um conselho: Não se pare sempre que se flagrar perto demais de dar a cara à tapa, e talvez então você viva algo que valha a pena.
Um pedido: Diga mais “não” ao próximo que a si mesmo, e talvez então você poupe lamentos no discurso final.
Uma ordem: Acredite em você, e talvez então as pessoas acreditem.
sexta-feira
A verdade é falsa.
A decepção é a rotina. A surpresa é a contradição. O prazer é a estupidez.O perdão é mentira. O amor também. O desejo é ilusão. A satisfação também.
A amizade engana. A paixão enlouquece. O consumismo completa. A culpa corrói.
O respeito é cego. O ego é surdo. A revolta é muda.
A vida ensina. A morte cala. A nascença começa. A alma acaba.
Quem viu sente. Quem sabe conhece. Quem quer tem.
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Menos opções. Menos promessas. Menos desejos. Mais vida.
quinta-feira
Turbulência calma.
Meio sentada, meio morta, jazia estática com a cabeça derrubada, ombros soltos e pele a mostra. Respirava, ouvia e via, mas o ambiente era tão calmo que não fosse o barulho de suas veias enchendo e vazando. Ao seu redor, livros, canetas, papeis amassados, idéias vagas. Entre pressões e opressões, boas notas eram um dever, estudar uma condição. Seu corpo mal formado e a cabeça menos ainda, não parecia certo um futuro brilhante, na verdade, nada parecia muito certo dentre suas oscilações de humor. Nem alta nem baixa, nem branca nem negra, nem bonita nem feia, indefinida a definia. Adolescência, hora de formar opiniões. Turbulência, hora em que opiniões são inexatas. Vestibular. Amigos. Garotos. Livros. Filmes. Descobertas. Baladas. Decepções. Seu coração palpitava, confuso com tantos comandos do cérebro. Seu intimo se despedaçava, despreparado para tantas contradições. Sua mente gritava, surdo para tantos sinais. Seu todo nada fazia, amedrontado de mais para agir além do ambiente. E era assim, com livros e sonhos que o sol morto ia e voltava, e os dias passavam, e a vida acontecia. Seu nome é insegurança.


