"Questão a resolver: como conciliar a crença que o mundo é, em grande parte, uma ilusão, com crença na necessidade de melhorar essa ilusão? Como ser simultaneamente desapaixonado e não indiferente, sereno como um velho e ativo como um jovem?" Aldous Huxley
sexta-feira
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segunda-feira
Tropeços

sábado
Sobre a ataraxia politica.

terça-feira
Colápso.

Eu não posso fazer alarme. Eu não posso transparecer. Eu não posso ser fraca. Eu não posso querer antenção. Eu não posso me abrir demais. Eu não posso confiar cegamente. Eu não posso machucar ninguém. Eu não posso ser machucada. Eu não posso dizer o que eu penso. Eu não posso pensar muita coisa. Eu não posso pensar. Eu não posso ser quem eu quero. Eu não posso ser como eu quero. Eu não posso esperar nada em troca. Eu não posso esperar nada. Eu não posso mentir. Eu não posso ser sincera. Eu não posso esquecer. Eu não posso lembrar. Eu não posso gostar. Eu não posso odiar. Eu não posso querer. Eu também não posso sentir.
quarta-feira
Saudade.
sábado
Culpa, pena e tempo.

segunda-feira
Importancia.
E ai vemos a desimportancia das coisas.
E ai notamos que refletir é desimportante.
E ai tudo parece vazio.
E ai vemos que tudo é, de fato, vazio.
E ai nos propomos a viver sem pensar.
E ai notamos que viver é pensar.
E ai tudo fica sem sentido, mais uma vez.
domingo
Cansaço austero.
Me sinto pesada, suja e errada. Como uma alma pura que nunca fez caridade, como um potencial pisado e chutado. Tanta coisa que eu poderia fazer. Tanta coisa que eu poderia ser. Inúmeros futuros na prateleira, inúmeras ações esboçadas nos projetos. Necessidades que de repente nem são mais necessárias. Supérfluos sem os quais eu não seria nada. Divindades que eu ignoro, idiotices que eu idolatro... Crenças, opiniões revolucionarias, então porque ainda sinto este vazio de vontade própria? Crucificando o ego alheio mas sempre cuidando das aparências. Fingindo que não preciso de ninguém e esperando desesperadamente que alguém precise de mim. Olho pra minha historia... tão pequena. Anos e anos de catança, porque a mochila ainda está tão leve? Eu quero gritar correr e quebrar tudo pelo caminho. Planos e mais planos. Num segundo parece que eu consegui tudo o que sempre quis, e então eu já não quero mais nada daquilo. Me sinto miserável. Então me inspiro em qualquer coisa e proponho zilhões de mudanças. Ai penso que não sou capaz. Olho pro nada e encontro novos horizontes, então anoitece e eu os perco de vista. Eu penso tanto que acabo sem saber o que pensar, e eu quero tanto que acabo sem saber o que querer. E sem saber eu só acabo. E acabo sem saber...
sábado
Ambivalência.
segunda-feira
Apólogo.
Era uma vez uma casa de palha. Lá dentro morava um sonho. O sonho tinha um animalzinho de estimação chamado Orgulho. Orgulho era um filhote adorável, de pequeno porte e muito ingênuo. Ingênuo como o sonho e como a casa. Ingênuo como eu fui um dia.
Então, em uma tarde entristecida pela neblina, o sonho levou Orgulho para passear, e ingenuamente, Orgulho conheceu Paixão. Paixão era o animalzinho da casa ao lado, cujo dono era um desejo ardente. A casa era feita de vidro, mas em certas manhãs o orvalho a fazia lembrar cristal.
No dia seguinte, Orgulho não conseguia parar quieto, e logo o sonho percebeu... Conversaram, riram, e Orgulho contou-lhe toda a historia. O sonho, que era sempre muito ousado, resolveu tomar um chá com o desejo. Chegando lá, percebeu que a casinha cheirava a caricias, e se sentiu muito confortável.
Enquanto tomavam o chá e conversavam sobre um assunto qualquer, Orgulho e Paixão se aproximavam mais e mais, e no fim do dia já eram quase irmãos.
Chegando em casa, o sonho tratou de encher Orgulho de perguntas. Orgulho não fazia idéia de quais respostas dar, e atordoado depois de um dialogo vazio, se retirou pra dormir.
Aconchegado e olhando o luar, Orgulho repassou o dia em sua cabeça. Tentou tirar conclusões sobre o que se passara, mas quanto mais pensava, mais se confundia. Desistiu e se rendeu ao sono.
Enquanto isso, na casa ao lado...
Paixão havia discutido com o desejo, pois ambas tinham se sentido muito atraídas pelo sonho. A discussão terminou com o desejo lembrando Paixão de que ela não tinha o direito de ter um sonho... Agora paixão estava muito chateada com o acontecido, e pensava se ao menos tinha o direito de ter Orgulho.
O dia seguinte foi dominado pelo silêncio dos gritos da ansiedade, e era um silêncio escuro. Orgulho acordou e foi até a padaria, para agradar o sonho, que tinha sido muito amável no dia anterior. Paixão não dormira nada, e assim que o sol raiou de mal humor, ela saiu de casa e foi admirar o horizonte da calçada.
Orgulho avistou-a, e sem hesitar, sentou ao seu lado. Paixão o confortou com um sorriso, e logo voltou a seu transe. Sem saber exatamente o que fazer, Orgulho preferiu um assunto bobo ao silêncio.
Olhou com toda a sua coragem para a indiferença dela e perguntou por que seus olhos estavam tão vazios. Ela sorriu sarcástica e lançou a pergunta no ar. “Acha que eu tenho direito de sonhar?”
Com medo do fundamento daquela pergunta e das conseqüências que sua resposta poderia causar, Orgulho resolveu responde-la com outra pergunta. “Acha que eu tenho direito de me apaixonar?”
Paixão não pegou a indireta, e respondeu honesta e indiferente: “Acho que qualquer um tem direito de se apaixonar... Mas você em especial pode se ferir.”
Orgulho se sentiu confuso e enjoado, e decidiu tentar esclarecer aquela bagunça. “Paixão, porque não se acha digna de sonhar?”
Ela o encarou, olhou para o asfalto e olhou vaziamente de volta para ele. Considerando-o um grande amigo, contou sobre a discussão com o desejo e sobre os medos que a assombravam.
Neste momento Orgulho se retirou ferido. Paixão não entendeu muito bem, mas permaneceu vazia no mesmo lugar.
O sonho já estava preocupado com a ausência do Orgulho, mas pensou que este era o momento perfeito para se declarar para o desejo. Chegando na casinha brilhante, o sonho reconheceu Paixão. Sentou-se perto dela. Afetada pela ausência do Orgulho, Paixão se aconchegou nos braços do sonho e lhe fez juras de amor. O sonho, iludido, mergulhou em seu extase.
Por trás da parede, o desejo assistia a tudo.
Algum tempo se passou, recheado por visitas secretas entre Paixão e o sonho da casa ao lado, até que o desejo ficasse opaco e Orgulho ficasse velho. Então a casamenteira da vizinhança, chamada Desilusão, juntou-os num encontro arranjado.
Orgulho se deu muito bem com o desejo, e o sonho viveu feliz para sempre com a Paixão... Mas quantos desejos a Paixão ainda pode sabotar? E de quantos sonhos o Orgulho ainda pode desistir?
Moral da história: Atenda à todos os seus desejos e cale suas Paixões, e dê espaço para que seu Orgulho cresça, pois assim ele poderá desistir de todos os seus sonhos estúpidos, antes que estes te levem à Desilusão.
sábado
Acredite.
Eu acredito em você, confio em você. Você é capaz. Você é forte o bastante. Sua falta de confiança parece te atrapalhar, mas sabe.. é só um charme. Sem saber o que fazer, você faz dar certo; sem saber o que dizer, você cala a todos; sem saber por onde olhar, você mira no alvo. Você sempre dá a volta por cima, você sempre os surpreende. Você é única, você é especial. Vá até lá e acabe com eles. Se orgulhe por ser quem é. Eu acredito em você. Eu confio em você.
quinta-feira
Decepções, Decisões.

Estudar arduamente pra receber um boletim nojento, se comportar perante as regras pra ninguém perceber, ser discreta e bondosa pra ninguém ligar. CHEGA.
Viver um dia de cada vez não me basta, pensar em todos os outros dias não me cabe, me magoar com todas as perdas me corrói. Ponto final, só eu posso por um.
Não sei o que vou fazer, não sei se sou uma boa alma, não sei se vou passar no vestibular, não sei se vou encontrar o amor, mas sei que a partir de hoje eu vou ser feliz. Seja ignorando a tudo e a todos e me trancando em mim, seja falando com todo mundo e rindo a toa, seja estudando monotonamente e tirando boas notas, seja vivendo intensamente e sem ligar para os deveres.
Posso levar castigos, broncas, detenções, mas desilusões eu não carrego mais comigo.
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Se me enganar me fizer bem, é o que eu vou fazer.
Se te xingar me fizer bem, é o que eu vou fazer.
Se me calar me fizer bem, é o que eu vou fazer.
Chamem de egoísmo, mas é preferível ser egoísta a infeliz. Pelo menos é assim que eu penso no momento.
Delírios.
Sabe quando tudo aquilo que vem ensaiando para acontecer resolve criar um catastrófico festival e não dá a mínima pra quantos espectadores além do limite virão?
Sabe quando tudo parece um sonho borrado?
Sabe quando você quer muito aconselhar um amigo mas tem a consciência de que não é capaz de aconselhar nem a si mesmo?
Sabe quando você quer viver acima dos problemas mas vê que os problemas estão vivendo acima de você?
Sabe quando você quer gritar, chorar, bater, e nem mesmo sabe pra quem deve correr?
Sabe quando tudo que se trancava no fundo do seu intimo resolve se revelar na frente dos seus olhos mais você está cega demais pra conseguir enxergar?
Sabe quando você quer fazer alguém sofrer só pra não sofrer mais mesmo consciente de que esse sofrimento te fará sofrer?
Sabe quando você nem imagina se é egoísmo ou masoquismo se contradizer pra agradar?
Sabe quando você pensa em tudo mas não tem a mínima idéia de sobre o que pensa?
Sabe quando você apóia todos os lados mas discorda de todos?
Sabe quando você só quer poder deitar em posição fetal e assistir a vida acontecer mas também quer se levantar e chutar todos os acontecimentos não planejados?
Sabe quando você se sente impotente por saber que pode mudar tudo?
Sabe quando você quer contar a todos mas não quer se explicar?
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Se souber nunca saberá que soube, porque nem eu mesma sei se sei. Na verdade só queria não saber. Eu sei, saber dói… Mas qual será a dor de não saber?

