"Questão a resolver: como conciliar a crença que o mundo é, em grande parte, uma ilusão, com crença na necessidade de melhorar essa ilusão? Como ser simultaneamente desapaixonado e não indiferente, sereno como um velho e ativo como um jovem?" Aldous Huxley

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sexta-feira

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Eu estou meio perdida entre uma embriaguez mental niilista e autodestrutiva e essa coisa de aprender, agir, mudar, criar... Mudo de lado de hora em hora, e estou ficando tonta. A responsabilidade é minha, o futuro é meu, a realização ou a frustração que virá disso tudo será completamente minha. E eu quero que seja realização. Estou decidida, quero pensar e agir, construir coisas das quais eu me orgulhe, quero ser, quero ter o controle. É que aquela preguiça fica me rondando, na espreita, esperando qualquer fiapo de fraqueza, para tentar minha mente. E isso sim é o demônio: a preguiça. Não é uma criaturinha vermelha com rabo de seta sentado no seu ombro, não, o demônio é o seu próprio desânimo, é a falta de persistência, é o cansaço que sussurra dentro da nossa cabeça o tempo todo na tentativa de nos fazer desistir das nossas metas. E vender-se ao demônio é prazer puro por algum tempo, já dizia a bíblia... Mas depois vem a danação. Não, não. NÃO. Decidi: agora quero ser ascese.

segunda-feira

Tropeços


Eu sinto os sonhos presos em mim. Eu sinto o cheiro das suas mentiras a me sufocar. Falseio com o peso das palavras não ditas... Será que eu ainda vou cair? Hei de cair, todos eles parecem saber. Me observam ansiosos, me vigiam sem me guardar. Quem estenderá a mão a me levantar? Vejo pessoas passando, mas não vejo brilho em seus olhos. Eles fingem muito bem, mas não parecem dispostos a me ajudar. Ouço um sino atordoante, é o sinal de largada... e a corrida começou. Apostando para ver quem chega mais rápido ao fim, ao pódio do eu te disse. Jogando no nada sua ultima gota de suor, esbaforidos com a pressa de saber. Eles vão chegar, cedo ou tarde, e logo a corrida acaba. Vidas gastas em vão, enquanto as palavras pesam mais e mais... e o relógio avança, ele vai me engolir. Corro do tempo, corro dos sonhos, corro da corrida e corro de mim. Duas estradas, por qual seguir? Nenhuma é bela e nenhuma é escura, são só caminhos, caminhos quaisquer. O tempo se aproxima, parece faminto. O extinto de sobrevivência me joga sobre o mato, sem estrada e sem caminho. A folhagem parece dura, mais dura que o chão e mais dura que os erros. Um tapa na cara que soa de medo. Me levanto bem rápido, sem mão, sem nada. Olho pro céu e dou um basta em tudo. O tempo para. Os sonhos esperam. As mentiras ficaram para trás. As palavras me encaram do chão. A corrida acabou. Leve mas não livre, viro meu corpo e caminho à rumo oposto. O sol brilha quente e as flores cheiram a dor. Meu coração se esfria enquanto meus olhos esquecem do amor.

sábado

Sobre a ataraxia politica.


Desde o grito da informática, que chegou com a terceira revolução industrial, jovens do mundo inteiro se esqueceram de contestar a sociedade, politica e economia mundial; para se trancarem em seu próprio mundo, onde regem suas próprias leis e onde os aborrecimentos daquela existência cada dia mais complexa não entram. Depois de pouco tempo, a juventude estava tão desintegrada do sistema vigente que qualquer intervenção por parte desta perdeu o sentido. E é aí que nós estamos. Agora, convenhamos: o sistema político, satisfatório ou não, foi projetado por pessoas incomparávelmente mais engajadas que a nossa geração; por tanto nossa falta de atitude, de vontade ou de ideais é simplesmente coerente. De todo modo, sistema nenhum é perfeito, então por que é tão dificil de se aceitar que o atual é correspondente ao nosso momento histórico? Acho que é hora de enxergar que revolta nem sempre é a melhor conduta. Às vezes, integração já basta.

terça-feira

Colápso.


Eu não posso fazer alarme. Eu não posso transparecer. Eu não posso ser fraca. Eu não posso querer antenção. Eu não posso me abrir demais. Eu não posso confiar cegamente. Eu não posso machucar ninguém. Eu não posso ser machucada. Eu não posso dizer o que eu penso. Eu não posso pensar muita coisa. Eu não posso pensar. Eu não posso ser quem eu quero. Eu não posso ser como eu quero. Eu não posso esperar nada em troca. Eu não posso esperar nada. Eu não posso mentir. Eu não posso ser sincera. Eu não posso esquecer. Eu não posso lembrar. Eu não posso gostar. Eu não posso odiar. Eu não posso querer. Eu também não posso sentir.

quarta-feira

Saudade.


Será que agora acabou? Às vezes eu quero de volta, mas não consigo acreditar. Muita coisa foi quebrada, e eu até aprendi a não ligar... Então, se eu fui indiferente, perdão. É que precisar de você doía demais.

sábado

Culpa, pena e tempo.


Isso a persegue. Isso a derruba. Todos os olhares cautelosos e os gestos amorosos, eles a cegam. Dó é a culpa mais dolorosa. E amor, a mais ardente. A ardósia vai continuar intacta, e a rosa vai continuar morrendo, ambas pegando pó e empalidecendo com o tédio. Tantas noites de chuva ainda hão de lavar os sonhos, enquanto tantas rajadas de vento ainda hão de molhar as janelas. E tantas vezes você ainda vai encarar as estrelas e se perguntar o porque de tantas oscilações de sabor. Mas quem sabe talvez, depois de todas essas noites, e depois de todos estes hormonios, ela não se molhe na chuva e não se seque ao vento, e com a cara virada pro brilho nude das estrelas que lhe juraram tantas coisas, ela não se permita chorar? E, meu amigo, não se esqueça, quando este dia chegar, permaneça na cama. Ouça os soluços e os engasgos molhados. Despiste as mentiras que tentarem aparecer. Sinta o calor que virá quando acabar. E se acabar, nunca mais a console.

segunda-feira

Importancia.

Quando tudo parece sem sentido, paramos pra refletir.

E ai vemos a desimportancia das coisas.
E ai notamos que refletir é desimportante.
E ai tudo parece vazio.
E ai vemos que tudo é, de fato, vazio.
E ai nos propomos a viver sem pensar.
E ai notamos que viver é pensar.
E ai tudo fica sem sentido, mais uma vez.

domingo

Cansaço austero.

Me sinto pesada, suja e errada. Como uma alma pura que nunca fez caridade, como um potencial pisado e chutado. Tanta coisa que eu poderia fazer. Tanta coisa que eu poderia ser. Inúmeros futuros na prateleira, inúmeras ações esboçadas nos projetos. Necessidades que de repente nem são mais necessárias. Supérfluos sem os quais eu não seria nada. Divindades que eu ignoro, idiotices que eu idolatro... Crenças, opiniões revolucionarias, então porque ainda sinto este vazio de vontade própria? Crucificando o ego alheio mas sempre cuidando das aparências. Fingindo que não preciso de ninguém e esperando desesperadamente que alguém precise de mim. Olho pra minha historia... tão pequena. Anos e anos de catança, porque a mochila ainda está tão leve? Eu quero gritar correr e quebrar tudo pelo caminho. Planos e mais planos. Num segundo parece que eu consegui tudo o que sempre quis, e então eu já não quero mais nada daquilo. Me sinto miserável. Então me inspiro em qualquer coisa e proponho zilhões de mudanças. Ai penso que não sou capaz. Olho pro nada e encontro novos horizontes, então anoitece e eu os perco de vista. Eu penso tanto que acabo sem saber o que pensar, e eu quero tanto que acabo sem saber o que querer. E sem saber eu só acabo. E acabo sem saber...

sábado

Ambivalência.



Uma nova perspectiva crescendo. Eu acredito nela. Ela pode ser a minha chance. Ela pode ser a cura.
Uma velha empolgação caindo. Eu gosto dela. Ela pode ser a minha chance. Ela pode ser a cura.


segunda-feira

Apólogo.


Era uma vez uma casa de palha. Lá dentro morava um sonho. O sonho tinha um animalzinho de estimação chamado Orgulho. Orgulho era um filhote adorável, de pequeno porte e muito ingênuo. Ingênuo como o sonho e como a casa. Ingênuo como eu fui um dia.

Então, em uma tarde entristecida pela neblina, o sonho levou Orgulho para passear, e ingenuamente, Orgulho conheceu Paixão. Paixão era o animalzinho da casa ao lado, cujo dono era um desejo ardente. A casa era feita de vidro, mas em certas manhãs o orvalho a fazia lembrar cristal.

No dia seguinte, Orgulho não conseguia parar quieto, e logo o sonho percebeu... Conversaram, riram, e Orgulho contou-lhe toda a historia. O sonho, que era sempre muito ousado, resolveu tomar um chá com o desejo. Chegando lá, percebeu que a casinha cheirava a caricias, e se sentiu muito confortável.

Enquanto tomavam o chá e conversavam sobre um assunto qualquer, Orgulho e Paixão se aproximavam mais e mais, e no fim do dia já eram quase irmãos.

Chegando em casa, o sonho tratou de encher Orgulho de perguntas. Orgulho não fazia idéia de quais respostas dar, e atordoado depois de um dialogo vazio, se retirou pra dormir.

Aconchegado e olhando o luar, Orgulho repassou o dia em sua cabeça. Tentou tirar conclusões sobre o que se passara, mas quanto mais pensava, mais se confundia. Desistiu e se rendeu ao sono.

Enquanto isso, na casa ao lado...

Paixão havia discutido com o desejo, pois ambas tinham se sentido muito atraídas pelo sonho. A discussão terminou com o desejo lembrando Paixão de que ela não tinha o direito de ter um sonho... Agora paixão estava muito chateada com o acontecido, e pensava se ao menos tinha o direito de ter Orgulho.

O dia seguinte foi dominado pelo silêncio dos gritos da ansiedade, e era um silêncio escuro. Orgulho acordou e foi até a padaria, para agradar o sonho, que tinha sido muito amável no dia anterior. Paixão não dormira nada, e assim que o sol raiou de mal humor, ela saiu de casa e foi admirar o horizonte da calçada.

Orgulho avistou-a, e sem hesitar, sentou ao seu lado. Paixão o confortou com um sorriso, e logo voltou a seu transe. Sem saber exatamente o que fazer, Orgulho preferiu um assunto bobo ao silêncio.

Olhou com toda a sua coragem para a indiferença dela e perguntou por que seus olhos estavam tão vazios. Ela sorriu sarcástica e lançou a pergunta no ar. “Acha que eu tenho direito de sonhar?”

Com medo do fundamento daquela pergunta e das conseqüências que sua resposta poderia causar, Orgulho resolveu responde-la com outra pergunta. “Acha que eu tenho direito de me apaixonar?”

Paixão não pegou a indireta, e respondeu honesta e indiferente: “Acho que qualquer um tem direito de se apaixonar... Mas você em especial pode se ferir.”

Orgulho se sentiu confuso e enjoado, e decidiu tentar esclarecer aquela bagunça. “Paixão, porque não se acha digna de sonhar?”

Ela o encarou, olhou para o asfalto e olhou vaziamente de volta para ele. Considerando-o um grande amigo, contou sobre a discussão com o desejo e sobre os medos que a assombravam.

Neste momento Orgulho se retirou ferido. Paixão não entendeu muito bem, mas permaneceu vazia no mesmo lugar.

O sonho já estava preocupado com a ausência do Orgulho, mas pensou que este era o momento perfeito para se declarar para o desejo. Chegando na casinha brilhante, o sonho reconheceu Paixão. Sentou-se perto dela. Afetada pela ausência do Orgulho, Paixão se aconchegou nos braços do sonho e lhe fez juras de amor. O sonho, iludido, mergulhou em seu extase.

Por trás da parede, o desejo assistia a tudo.

Algum tempo se passou, recheado por visitas secretas entre Paixão e o sonho da casa ao lado, até que o desejo ficasse opaco e Orgulho ficasse velho. Então a casamenteira da vizinhança, chamada Desilusão, juntou-os num encontro arranjado.

Orgulho se deu muito bem com o desejo, e o sonho viveu feliz para sempre com a Paixão... Mas quantos desejos a Paixão ainda pode sabotar? E de quantos sonhos o Orgulho ainda pode desistir?

Moral da história: Atenda à todos os seus desejos e cale suas Paixões, e dê espaço para que seu Orgulho cresça, pois assim ele poderá desistir de todos os seus sonhos estúpidos, antes que estes te levem à Desilusão.


sábado

Acredite.


Eu acredito em você, confio em você. Você é capaz. Você é forte o bastante. Sua falta de confiança parece te atrapalhar, mas sabe.. é só um charme. Sem saber o que fazer, você faz dar certo; sem saber o que dizer, você cala a todos; sem saber por onde olhar, você mira no alvo. Você sempre dá a volta por cima, você sempre os surpreende. Você é única, você é especial. Vá até lá e acabe com eles. Se orgulhe por ser quem é. Eu acredito em você. Eu confio em você.


quinta-feira

Decepções, Decisões.


Alguns perdem, outros se perdem; alguns decepcionam, outros se decepcionam. O fato é que todos cansam, de si, a si, do mundo, o mundo; tão inevitável quanto a morte é se fartar das mesmices da vida.

Estudar arduamente pra receber um boletim nojento, se comportar perante as regras pra ninguém perceber, ser discreta e bondosa pra ninguém ligar. CHEGA.

Viver um dia de cada vez não me basta, pensar em todos os outros dias não me cabe, me magoar com todas as perdas me corrói. Ponto final, só eu posso por um.

Não sei o que vou fazer, não sei se sou uma boa alma, não sei se vou passar no vestibular, não sei se vou encontrar o amor, mas sei que a partir de hoje eu vou ser feliz. Seja ignorando a tudo e a todos e me trancando em mim, seja falando com todo mundo e rindo a toa, seja estudando monotonamente e tirando boas notas, seja vivendo intensamente e sem ligar para os deveres.

Posso levar castigos, broncas, detenções, mas desilusões eu não carrego mais comigo.

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Se me enganar me fizer bem, é o que eu vou fazer.
Se te xingar me fizer bem, é o que eu vou fazer.
Se me calar me fizer bem, é o que eu vou fazer.

Chamem de egoísmo, mas é preferível ser egoísta a infeliz. Pelo menos é assim que eu penso no momento.

Delírios.

Sabe quando tudo aquilo que vem ensaiando para acontecer resolve criar um catastrófico festival e não dá a mínima pra quantos espectadores além do limite virão?
Sabe quando tudo parece um sonho borrado?
Sabe quando você quer muito aconselhar um amigo mas tem a consciência de que não é capaz de aconselhar nem a si mesmo?
Sabe quando você quer viver acima dos problemas mas vê que os problemas estão vivendo acima de você?
Sabe quando você quer gritar, chorar, bater, e nem mesmo sabe pra quem deve correr?
Sabe quando tudo que se trancava no fundo do seu intimo resolve se revelar na frente dos seus olhos mais você está cega demais pra conseguir enxergar?
Sabe quando você quer fazer alguém sofrer só pra não sofrer mais mesmo consciente de que esse sofrimento te fará sofrer?
Sabe quando você nem imagina se é egoísmo ou masoquismo se contradizer pra agradar?
Sabe quando você pensa em tudo mas não tem a mínima idéia de sobre o que pensa?
Sabe quando você apóia todos os lados mas discorda de todos?
Sabe quando você só quer poder deitar em posição fetal e assistir a vida acontecer mas também quer se levantar e chutar todos os acontecimentos não planejados?
Sabe quando você se sente impotente por saber que pode mudar tudo?
Sabe quando você quer contar a todos mas não quer se explicar?
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Se souber nunca saberá que soube, porque nem eu mesma sei se sei. Na verdade só queria não saber. Eu sei, saber dói… Mas qual será a dor de não saber?